21 de abril de 2026
Lity

Uma pesquisa realizada em 2024 pelo Kantar IBOPE Media aponta que 91% dos brasileiros consomem algum tipo de conteúdo em áudio em seu dia a dia. Nesse contexto, os fones de ouvido True Wireless Stereo (TWS), modelos totalmente sem fio que se conectam via Bluetooth, ganharam protagonismo ao atender uma demanda crescente por mobilidade e praticidade no consumo de música, podcasts e vídeos, especialmente em aparelhos móveis.

Somente no primeiro trimestre de 2025, o mercado global de TWS alcançou a maior taxa de crescimento desde 2021, registrando um aumento de 18% nas vendas, o que representa 78 milhões de unidades, segundo estudo das empresas de análise de mercado Canalys e Omdia. No entanto, um movimento recente chama a atenção: a redescoberta do fone com fio.

Dados da empresa norte-americana Circana mostram uma retomada desse formato no segundo semestre de 2025, registrando um aumento de 10% nas vendas entre julho e dezembro.

Esse retorno não acontece de forma isolada. O aquecimento de nichos como câmeras analógicas e discos de vinis indicam o potencial de consumo da nostalgia. A verdade é que em um mercado caracterizado pelo excesso de opções padronizadas e pela velocidade com que tendências surgem e se dissipam, elementos visuais mais marcantes, como os fones com fio, que remetem a estética divertida dos anos 1990 e 2000, representam um movimento de busca por autenticidade. Mais do que uma escolha visual, é uma construção de identidade.

Além disso, quando nos aprofundamos no impacto da nostalgia no consumo, observamos que essa conexão emocional com referências antigas influencia diretamente na percepção de valor do produto e encurta o processo de decisão. Um relatório da PiniOn de setembro de 2025 aponta que mais da metade dos brasileiros (56,8%) já fizeram compras motivadas por lembranças do passado.

Isso ocorre porque, diante de um item que remete a experiências anteriores, o consumidor já parte de um repertório conhecido, seja pela familiaridade com o uso ou pelas sensações associadas àquele formato. Na prática, toda essa memória sensorial contribui para uma decisão mais rápida e menos racionalizada.

Do ponto de vista técnico, os fones com fio apresentam algumas vantagens ao consumidor. A primeira delas é a autonomia, afinal o acessório não tem a necessidade de ser recarregado. Outro ponto positivo está no custo x benefício. Por ter uma arquitetura mais simples, que não exige componentes como módulos Bluetooth, baterias e sistemas de processamento, os custos de produção são menores, o que torna esses modelos economicamente mais acessíveis para o consumidor final. A ausência de uma bateria interna também pode fazer com que esse produto tenha um longo período de vida útil.

Outro diferencial importante está na qualidade sonora. Por operarem com transmissão direta de áudio, sem precisar de compressão via Bluetooth, esses modelos tendem a oferecer maior fidelidade sonora e praticamente eliminarem atrasos no som.

Em suma, esses movimentos de nostalgia e hype deixam um recado para a indústria de eletrônicos e acessórios. Mais do que acompanhar avanços tecnológicos, hoje o consumidor procura autenticidade e pertencimento, o que se reflete em diferentes frentes para o negócio. No desenvolvimento de produtos, há uma oportunidade de explorar identidades visuais mais marcantes, que fujam da padronização e dialoguem com referências culturais. No campo da comunicação, o desafio passa por construir narrativas que vão além da funcionalidade, criando conexões próximas com o público e reforçando um senso de comunidade em torno da marca.

No final das contas, não é sobre competir por funcionalidades, mas sim se preocupar em gerar identificação.

*Amanda Rodrigues é Gerente de Marketing e Produtos da Lity.

 

Janaina Leme
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